Tuesday, August 30, 2005

Leandro, Ciencias Sociais da USP – para Mino

O estudante, dizendo que "Assistimos hoje um circo da midia contra o governo Lula... boa parte das noticias sao plantadas, inventadas.... Manchetes baseadas em declarações, entrevistas...", pergunta se o CNJ conteria isso, e também quais seriam os recursos da sociedade civil para "conter esse tipo de mau caratismo".

Mino
"O circo da mídia é mais do que evidente. Ela sempre se aliou ao poder, é uma tradição. Invocou o golpe em 64 e 68, hostilizou a campanha das Diretas Já..."

"Essa historia do Conselho é mais um aspecto da nossa desinformação. Nada contra um Conselho de Ética que deveria funcionar dentro de um sindicato de jornalistas. Mas não cabe a ele determinar condições, dirigir penas a esse ou aquele, porque não disseram a verdade."

"Deveria haver, por parte desse parlamento, a elaboração de uma Lei que limitasse o poder dos patrões, dos donos. Este é um País onde infelizmente os jornalistas não sabem que sua categoria é tão importante quanto a dos patrões. Os jornalistas chamam os seus patrões de jornalistas"

"Por que o parlamento jamais aprovara lei dessas? Todos eles (veículos de comunicação) estão falidos. Porque um número enorme de Deputados e Senadores eles próprios são donos de rádio, televisões, jornais, revistas... Essa é a situação deste País, infelizmente. Temos que lidar com fatos, esse é outro fato."



Andre, Jornalista

Coloca-se como "ferrenho defensor do voto facultativo". Pergunta como poderia ser feito isso, pois o voto obrigatório "cria curral".


Xico Sá

"Temo que o voto facultativo vire o voto mais caro do universo. Tesoureiros de campanha guardam boa parte do caixa para compra de voto em cima da hora.


Jucélio, Advogado
O participante inicia sua pergunta citando Regis Debret, segundo o qual "esquerda e direita não delimitam campos, e sim sensibilidade...". Fala, depois, de uma união nacional, sobre uma composição ética nacional"

Claudineu

"Uma das questoes mais controvertidas... quando se fala em ética... é a questão de meios e fins..." E pergunta "Justificam os meios?"

"Não são poucos os grandes pensadores que concordam com essa orientação de cunho filosófico. Não só seu criador, Maquiavel, mas muito recentemente Sartre dizia isso 'impossível o exercício da politica senão com as mãos sujas"

O professor sentencia: "questao triste"

E continua: "ouso discordar.. acho que a política não faz nenhum sentido se não for desenvolvida num sentido ético". Mas indaga: "qual e a ética numa sociedade capitalista?"

"No mundo capitalista atual, a ética preponderante - o grande valor - é a eficiência. Ela se mede pelo lucro. O ponto nevrálgico da questão... o homem não tem significado... tudo é medido em função do lucro. É eficiente ou ineficiente se gera lucros..."

E acentua que isso é "tudo aquilo contra o que lutamos".


Soninha e Mino Carta dialogam sobre o CNJ e que tais

Soninha

A Vereadora se mostra "contra qualquer forma de controle da mídia por um Governo." Pois "são óbvios os riscos que isso implica..."


Mino

Sugere "uma lei que não permita a alguém ser dono de tudo"


Soninha

Concorda, falando sobre os limites de ser dono de vários veículos de comunicação - emissora, portal de internet, jornal - quando no mundo empresarial em geral as grandes empresas não podem, citando o caso de colgate e kolynos.

Também fala de um jornal que publica editorial em favor de um Governador, que por vezes é candidato.


Mino

Sobre publicar algo em favor de Governador, diz que "ele faz o que quiser... pode fingir que não está vendendo um editorial..." Fala de quem vende descaradamente, e assevera que "alguns não precisam vender"

Fala de jornais que nunca precisaram ser censurados, pois sempre fizeram o jogo da Ditadura, mas se juntam quando há um mal comum a todos (aludindo aí ao CNJ).


"A liberdade de imprensa é a liberdade de imprensa dos donos de jornais"


Soninha

"Quanto ao voto facultativo... Emir Sader é contra. Num processo de construção de democracia, o voto obrigatório, universal, é a melhor coisa.", segundo Sader.

Mas Soninha fala de si "sou a favor do voto facultativo... toda vez que transformam direito num dever, acontece alguma distorção no meio do caminho." Compara com a liberdade sexual: "O direito de transar antes do casamento virou obrigação, se você não transar, você é um desajustado"

Pergunta: "Quantas pessoas só votam porque são obrigadas?", concluindo "Com que interesse vai querer participar do processo de escolha se aquilo é uma obrigação de que quer se desfazer o mais rápido, para dar tempo de viajar?"

"Se o voto for facultativo... vai ter curral..."

Cita o caso de um candidato a vereador que contratou vinte e cinco mil bocas-de-urna. Pelo número de contratados, isso já é praticamente a compra dos votos para se eleger.

"Quanto à união nacional, cada um de nós acha que tem razão... Sempre tem muita gente defendendo seu interesse mais imediato..."

Fala então entre a rivalidade PTxPSDB:

"É um pouco ridícula a situação que temos... partidos que têm a mesma origem, que militaram nas mesmas fileiras..." e então exemplifica "de um lado, nós do PT temos o PP, PTB, enquanto os tucanos estão de braços dados com o PFL, mas se for o caso votam no PP que e para desestabilizar mais o governo do PT"

"A gente se alia a qualquer um para derrotar o outro... A gente senta com cada um na mesma mesa para derrotar o PSDB, que é inacreditável... Vai dizer que temos mais afinidades com o PP (ela cita Maluf e Janene) do que com o PSDB? É uma carnificina que não vejo tanta perspectiva de mudança"


Henrique, Direito PUC - pergunta a Mino Carta

"Daniel Dantas, figura marcada em sua revista, qual envolvimento dele com o PT..." Fala também que "movimentos sociais não questionam o PT..."


Mino começa dizendo que o "MST é o único movimento serio do País... está agindo pragmaticamente... tá esperando que a coisa se defina... até porque a coisa – insisto – o mensalão não foi provado. A mídia nos leva a supor que está tudo perdido. Não e verdade."

"Daniel Dantas está por trás de coisas demais. Está sofrendo um processo no País porque foi indiciado pela policia federal por formação de quadrilha, falsidade etc. Um senhor orelhudo. Grampeia todo mundo, inclusive este que lhes fala. Grampeia outros jornalistas. Compra muitos jornalistas. Muitos. Este senhor já foi condenado em uma sentença na qual o próprio juiz diz que isso tudo é um roubo"

Mino diz que Dantas, certa vez "Voltou de Caymann e a primeira pessoa que visitou... num voo direto... foi FHC..."

Então ele brinca com a platéia, perguntando "Qual livro de FHC vocês ja leram?" Ninguém responde. E ele diz "É que é muito chato". Todos caem na gargalhada.

Voltando a falar de Dantas: "Ele deu certamente cento e cinqüenta milhões, no mínimo, para Marcos Valério. Ele queria vender a Telemig e a Amazônia Celular... contou com a ajuda, aparentemente, de algumas pessoas ligadas ao governo... inclusive o tesoureiro do PTB, Palmieri. Ele tinha condições de chantagear o governo do PSDB.. e é unha e carne com o PFL. É uma figura que preenche perfeitamente o papel do grande corruptor. Por isso nós estamos em cima dele"


Tarcisio, Acao da Cidadania
Interpreta de forma heterodoxa a fala de Mino, sobre o sangue nas calçadas, e enumera vários casos de massacres e outras circunstâncias de "sangue" nas ruas.

Diz também que o PT "abandonou a luta social pela luta institucional". Cita Caetano Veloso, quando este, em 1968, sob vaias em pleno II FIC, confrontou a platéia. O participante pinça a idéia de que os jovens pretendem "matar amanhã, o velhote e inimigo que morreu ontem".

Diz que o evento está ajudando a furar a greve da USP (foi realizado no TUSP, que é da Universidade de São Paulo, cujos funcionários estariam em greve)


Mino Carta responde, esclarecendo a questão do sangue:

"quanto aos sangue nas calcadas.. não queria aludir ao sangue de trabalhadores... de sem-teto.. não eram esses... o sangue de alguns banqueiros, esses sim... de alguns corretores da bolsa..."

Então, Mino conta a todos um "sonho":

"Já sonhei em fazer uma coisa menos sangrenta... escolher cem pessoas.. a dedo... entre os que acabo de citar.. alguns políticos citar... ACM entraria nessa tranquilamente... eu os colocaria dentro de uma gaiola.. e ofereceria espetáculos gratuitos nas praças das cidades.... Deixaria as gaiolas ao lado do coreto... para que o público pudesse girar em volta... não seria sangrenta.. mas sim muito civilizada"

Xico Sá
Intervém, lembrando de uma história de Kafka, na qual havia o "artista da fome", que "jejuava profissionalmente". Pensou em também deixá-los sem comer, os do sonho de Mino Carta.